Vítimas de violência sexual sem assistência em pequenas cidades

A violência sexual, além de causar lesões físicas, provoca marcas invisíveis que podem prejudicar a vida das mulheres que sofrem esse tipo de abuso. Nos grandes centros do Estado, elas contam com redes estruturadas de acompanhamento psicológico e assistência médica após o registro da violência sexual. A situação é diferente nos pequenos municípios da Paraíba, que na maioria das vezes encaminham as mulheres vítimas de estupro para atendimento em cidades como Campina Grande e João Pessoa. Oito mulheres foram estupradas no Estado este ano, conforme levantamento feito pelo Centro da Mulher 8 de Março.
Para garantir a segurança das mulheres que foram vítimas de algum tipo de violência, a Paraíba conta apenas com duas casas abrigo que são mantidas em locais sigilosos, a Casa Abrigo da Mulher, em Campina Grande, e a Casa Abrigo Aryane Thaís, em João Pessoa. Já os Centros de Referência da Mulher totalizam três unidades, sediadas em João Pessoa, Cajazeiras e Santa Luzia. Em Campina Grande deve ser instalado ainda este ano um Centro de Referência para atender a todas a mulheres do Compartimento Borborema, que foram vítimas de algum tipo de violência.
“As cidades do interior do Estado, necessitam de uma rede de acompanhamento às mulheres que foram vítimas de violência sexual, porque está comprovado que mulheres que sofrem abuso e exploração sexual geralmente ficam marcadas para sempre e o acompanhamento psicológico é importantíssimo para que ela possa prosseguir com sua vida e superar o trauma”, ressaltou Irene Marinheiro, coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março.
Conforme Irene Marinheiro, a maioria dos casos de estupro que ocorrem em cidades pequenas não chegam ao conhecimento das autoridades. “Nas cidades do interior, o crime é camuflado pela própria família porque não quer expor a vítima ou o agressor. Aproximadamente 80% dos casos de estupro acontecem dentro da casa da vítima”, disse.

Fonte: Jornal da Paraíba

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